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Em tempo de crise, apareça e cresça!
Não, não foi um erro de digitação. Ao invés da conhecida expressão “cresça e apareça”, em tempos de crise, a melhor opção é mesmo “apareça e cresça”. E bons exemplos, não faltam.
Começo pela indústria automobilística. Poucos setores foram tão afetados pela crise quanto esse, até o momento em que conseguiram pressionar o governo a reduzir – nem tanto assim – alguns impostos. Mas, mais importante do que a redução do IPI foi o que as montadoras e suas agências fizeram. As montadoras reuniram forças, aumentaram os investimentos em promoção (merchandising, marketing direto, mídia…) e o resultado aí está: aumento recorde nas vendas.
De nada adiantaria a redução no IPI incidente sobre os carros (uma queda muito pequena, digo mais uma vez), mas que foi muito bem explorada – e como – pelas montadoras, aumentando a sensação de oportunidade impredível nos consumidores que, mesmo com todas as dúvidas e inseguranças geradas pelo momento que vivemos, correram às concessionárias para comprar o seu carro 0 Km. E deu tão certo que conseguiram a prorrogação da redução por mais 90 dias, sem falar que esse tornou-se um belo argumento na luta pela redução da carga tributária e nas taxas de juros.
Outro exemplo vem das cervejarias. Em plena “crise”, as vendas de cervejas nesse verão aumentaram quase 8%!!!
Mas, ao invés de pensarem que com a crise as pessoas iriam “pisar no freio do consumo”, as cervejarias investiram pesado em ações de merchandising, patrocínio de eventos, mídia… o resultado está aí.
O último exemplo vem de um setor, digamos, inusitado. O futebol. Ou você acha que o que fizeram no Corinthians não foi uma jogada de mestre em Marketing?
Primeiro, fizeram tudo certinho e foram campeões da segunda divisão (e fizeram um auê com isso). Depois, aproveitando a visibilidade obtida com o título da segundona, contrataram o Ronaldo, alardeando aos 7 ventos como “a maior contratação da história do futebol brasileiro”. Isso gerou uma visibilidade inédita para a ‘marca’ Corinthians.
Como consequência, venderam um absurdo de camisas 9 do Corinthians, não apenas no Brasil, mas em vários outros países. Na Europa, houve fila em porta de lojas à espera da camisa com o nome de Ronaldo.
Imaginem o quanto o ‘timão’ e o ‘fenômeno’ estão faturando com isso… E pra amplificar tudo isso, o Ronaldo – um grande profissional, acima de tudo – fez a sua parte e foi logo marcando gols, aumentando ainda mais a ‘Ronaldo mania’. E tome venda de camisas e outras traquitanas com a marca Corinthians (dizem que vão lançar até um boneco do Ronaldo vestido com a camisa do timão).
Bem, amigos deste blog, esses 3 exemplos ilustram bem que, em momentos de crise – e apesar dela – quem aparece mais e melhor, cresce. Mas não basta sair por aí atirando pra todo lado. Há de se pensar, planejar o que será feito, avaliar o prós e contras de cada ação e aí sim, partir para o ataque em direção ao nosso objetivo que é sair dessa crise com o resultado positivo.
E antes que eu me esqueça: Tenha certeza de que não foram os presidentes das montadoras, nem os presidentes das cervejarias, muito menos o presidente do Corinthians que elaboraram essas estratégias todas ou criaram os seus respectivos anúncios. Eles até participam do processo, mas contam com equipes bem montadas em seus departamentos de marketing e o trabalho especializado de suas agências que elaboram campanhas, anúncios e estratégias de mídia. Tudo muito profissional.
Pense nisso…
É isso aí. Boa semana e um abraço a todos.
Design gosta de crise
Transcrevo aqui um artigo interessante de Lincoln Seragini.
Design gosta de crise
Nas crises as empresas seguram ou adiam a maioria dos investimentos. É a estratégia da prevenção, para manter os negócios sob controle, diminuindo os riscos. Como no futebol, é a tática de jogar na defesa para tentar evitar levar gols e, portanto, não perder o jogo.
O título deste artigo é auto-explicativo, acredito. Design é sinônimo de inovação e dentre os investimentos que apresentam a melhor relação custo-resultado, em épocas de crise, aparece o design como uma das melhores opções.
No caso das embalagens a simples mudança do grafismo, o que em última instância significa a mudança da arte-final para impressão, de fácil implementação, pode alterar o resultado das vendas imediatamente. A Seragini Design, num período de 28 anos de experiência, tem registrado uma média estatística de 30%, onde é usual ocorrerem aumentos de até 500% somente devido à mudança do design. Mesmo quando for exigido novos moldes, no caso de mudança da forma dos frascos por exemplo, o tamanho do investimento é relativamente baixo, comparado com novas instalações fabris ou investimentos importantes em marketing e comunicação. Naturalmente, uma empresa para crescer não pode prescindir dos investimentos acima. Só para lembrar, estamos assim falando porque estamos vivendo uma crise.
Ampliando para o país, a criatividade, inovação e design, são as melhores saídas para a crise. Isso vale para qualquer setor. É o que mais ouvimos hoje no mundo. Nos EUA, o editor da Business Week, Bruce Naussbaum, propôs ao novo presidente a criação da Secretaria da Inovação, indicando o presidente da IBM para ocupar o posto. A comunidade de design norte-americana, num congresso recente, escreveu um manifesto sugerindo cerca de 200 medidas, a maioria incluindo design, para ajudar o país sair da crise. No Brasil, em outubro do ano passado, na abertura da Bienal de Design em Brasília, foi lido um discurso de Lula pelo vice-presidente José Alencar, colocando o design na agenda do governo, que afirmou que a criação de marcas, inovação e design irão agregar valor aos produtos brasileiros e o empresário Jorge Gerdau, que liderou o movimento de qualidade e produtividade através d MBC (Movimento Brasil Competitivo) deixando como herança a valiosa Fundação Nacional da Qualidade, anunciou nesse mesmo dia, a intenção de criar a co-irmã, Fundação Nacional do Design, por reconhecer que o design é essencial para o aumento de nossa competitividade.
Agora gostaria de destacar um novo conceito relativo à gestão da inovação, denominado em sua versão original, de design innovation, que diferente da inovação tecnológica, usa o pensamento como capital estratégico, não necessitando de laboratórios e experiências científicas, cujos resultados geralmente são incertos, exigindo maiores investimentos e longo prazo para sua realização. O design innovation se baseia nos princípios do design thinking, a nova ciência da gestão da inovação (ver www.d.school.stanford.com).
Para finalizar, voltando ao tema do artigo, o design gosta de crise porque crise é sinônimo de problemas e oportunidades e o design se dá bem com os dois.
Entenda por que o Brasil vai escapar da crise global
A atual situação da economia brasileira inspira preocupação. Milhares de profissionais valiosos perderam seus empregos nas indústrias mais dependentes do ambiente externo. A inadimplência atingiu, em janeiro, o maior nível desde maio de 2002. A desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) é severa. Ainda assim, há razões para se manter o otimismo. VEJA ouviu alguns dos mais brilhantes economistas brasileiros e todos concordaram que o Brasil vai escapar – com escoriações leves – da surra que a economia mundial está levando nos cinco continentes.
A economia brasileira já sofre os efeitos do furacão financeiro e sobre isso não há dúvida. Mas é consenso que o Brasil será um dos países menos afetados. Concordam com esse diagnóstico organizações como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a OCDE, a organização econômica dos países ricos.
A seguir, uma lista com dez razões para estarmos otimistas com a possibilidade de atravessarmos a crise mundial de 2009 apenas com pequenos arranhões – e com chances boas de emergir em 2010 com crescimento robusto:
1) Reservas de 200 bilhões de dólares intocadas depois de seis meses de crise.
2) Bancos competentes, regulados, com baixa exposição a riscos e provisionados contra calotes.
3) Ausência de bolhas de crédito e imobiliária, com potencial de crescimento real.
4) Mercado interno forte, crescendo em poder de compra e em proporção da população.
5) Matriz energética mais “verde” do mundo, com independência do petróleo importado.
6) Estabilidade política em que a democracia foi entronizada como patrimônio nacional.
7) Estabilidade econômica e arcabouço regulatório imperfeito, mas previsível.
Maior exportador de alimentos do mundo, o que garante vendas externas volumosas em qualquer cenário.
9) Mercado externo diversificado com compradores em todo o mundo e mercadorias de crescente valor agregado.
10) As mesmas projeções que apontam estagnação no mundo projetam crescimento do PIB do Brasil em 2009.